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Porto sem destino para terrenos após demolições Imprimir E-mail

Público, 04.05.2008, Patrícia Carvalho

A Câmara do Porto não tem intenção de construir habitação social nos terrenos dos bairros S. João de Deus e S. Vicente de Paulo. A demolição dos dois agrupamentos habitacionais deverá estar concluída até ao final do ano - um prazo definido há meses pela vereadora da Habitação e Acção Social, Matilde Alves, e confirmado recentemente em reunião do executivo -, mas ainda não se sabe o destino que será dado àqueles terrenos. Ao PÚBLICO, a vereadora admite que o plano de reconversão do S. João de Deus foi abandonado e que não tem projecto para ali nem para os terrenos do S. Vicente de Paulo. A venda é uma das hipóteses.

O Bairro de S. Vicente de Paulo está em morte lenta há muitos anos, pelo que o seu fim anunciado não apanhou muita gente de surpresa. No S. João de Deus, o processo foi diferente. Espécie de bandeira assumida pelo presidente Rui Rio no seu primeiro mandato, foi um dos bairros da cidade que, "pelos seus problemas sociais e urbanísticos", deveria manter-se sobre a sua "alçada pessoal", conforme anunciava, em comunicado, a 1 de Fevereiro de 2002.

Alguns meses depois, em Dezembro, tinha início o Plano de Reconversão do Bairro S. João de Deus, segundo o qual, se previa "uma diminuição de cerca de 80 por cento do número de fogos", passando de 630 para apenas 124. O futuro, dizia o plano camarário, passaria "pela aposta em casas unifamiliares com logradouros privados, em detrimento de habitações colectivas". Já se falava na demolição de "quase todos os edifícios de habitação colectiva" e era anunciado que as casas unifamiliares existentes seriam "reconvertidas de forma a transformar cada par de habitações em apenas uma única casa". O documento concluía: "Todos os edifícios habitacionais a manter, quer sejam unifamiliares ou colectivos, serão totalmente reabilitados."

Seis anos depois, o cenário não podia ser mais diferente. O pólo universitário que chegou a ser previsto para o local, com o objectivo de abrir o bairro à cidade, está "posto de lado", admite Matilde Alves. Quanto ao resto, a vereadora diz apenas que "os terrenos serão usados para outros fins". "Não será para habitação social, sem dúvida. A câmara já tem muitos bairros." Questionada, admite que a venda "é uma possibilidade".
Os cinco blocos que ainda subsistem deverão ser demolidos até ao final do ano, partindo com eles as cerca de 50 famílias que lá vivem. Para as 144 casas unifamiliares (muitas das quais já vazias) ainda não há planos.

Para o S. Vicente de Paulo, a situação é idêntica. As 30 famílias que ainda permanecem no local deverão partir antes do final do ano. "As casas estavam num estado tal de degradação que punham em risco a segurança das pessoas. Aqui, vai manter-se o bloco que existe, desaparecendo apenas as casas baixas. Não é minha preocupação saber o que vai ser feito no terreno de onde se retiram estas casas, deixo essa decisão para os outros", disse Matilde Alves que responde com um "não sei" à possibilidade de venda dos terrenos.
Depois de ter sido admitida a possibilidade de demolição do Bairro do Aleixo, no mandado de Nuno Cardoso, a hipótese viria a ser afastada quando Rui Rio chegou à presidência da autarquia e Paulo Morais era o vereador da Habitação.

O futuro do bairro, no entanto, não está definido, como admite a actual vereadora da Habitação. "O Aleixo implica também questões do pelouro do Urbanismo. Toda aquela zona precisa de uma profunda reconversão e ela está a ser estudada", explicou Matlde Alves "O futuro do Aleixo está em cima da mesa e em breve teremos notícias sobre isso. Que precisa de uma profunda requalificação, disso não há dúvida."

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